sexta-feira, 29 de agosto de 2014

ARMAMENTO PRÓPRIO

Armamento Próprio

Confirmando este desejo de provocar novas reflexões sobre a produção recentíssima da arte no país, o Museu Casa das Onze Janelas sente-se honrando em receber esta instalação do conjunto de obras denominado Arma Branca de Laerte Ramos, artista que vem oxigenar e atualizar através desta doação o significativo acervo deste museu. Trata-se de um grande bloco contendo uma centena de armar feitas em cerâmica, réplicas “abrinquedadas” de armas reais, e letais, em contraponto àquelas vendidas em lojas de brinquedos, todas juntas e confundidas neste grupo. Desta maneira, o conjunto burla a compreensão imediata, turva a realidade. Espelho e reflexo dos dias atuais onde as guerras observadas em tempo real mais parecem jogos de videogame. Como não se lembrar do horror apresentado mundialmente de um gigantesco helicóptero fortemente armado que destroça um único ser humano em frações de segundo? Este mesmo ser humano tão frágil quanto nos propõe Laerte Ramos em suas armas de cerâmica esmaltadas de preto, armas que refletem o espaço expositivo e a nós mesmos. Tão frágeis, quanto a nossa necessidade estúpida de portar armas.

Armando Queiroz

Diretor Museu Casa das Onze Janelas

quinta-feira, 14 de março de 2013

Se as coisas de pé fossem...


Artista visual: Lucimar Bello


Local: Gratuliano Bibas (Espaço Cultural Casa das Onze Janelas)

Data de abertura: 19 de março, às 19h

Período da exposição: 20 de março a 21 de abril de 2013.


O funcionamento do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas é de terça a sexta das 10h às 18h e nos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.

"Se as coisas de pé fossem...", reúne as obras: as coisas que não existem são mais bonitas; não fui fabricado de pé; se brancos vermelhos fossem e morada das delicadezas. São conjuntos de frágeis papéis que fazem dialogar fissuras e combinatórias.

as coisas que não existem são mais bonitas, são palavras de Manoel de Barros; desenhos de sobras do que restou, cuidadosamente acolhidos não como descarte, mas como ações-desenhantes.

não fui fabricado de pé, palavras também de Manoel de Barros. É uma instalação, com o vídeo cadadia+, e fragmentos da construção de um edifício em São Paulo, iniciado em 2006, até hoje inacabado, questionando a especulação imobiliária voraz, a devassar e expulsar pessoas, jardins, casas, quintas, objetos, lugares sócio-biográficos.

se brancos vermelhos fossem, é um conjunto de desenhos com linhas de costura sobre papéis. Dialogam com milhares de mulheres africanas costuradas.

morada das delicadezas, são desenhos nos quais marquei instantes chorosos, que tornaram-se lágrimas-desenhantes. Os papéis como lenços acolheram vazamentos molhados de vida-viva, potente, inquieta.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Bate Papo Cultural - Rastros Insulares





A manhã do dia 26 de fevereiro foi especial para o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. A exposição Rastros Insulares N 01°38’-E 07’29’ – S 0°51’ – W0 46°38’ foi presenteada por um agradável e enriquecedor bate-papo entre alunos do ensino médio do IFPA e os artistas autores da exposição, Martine Bordenave e Philo Fournier. Os artistas, respondendo às perguntas dos alunos, falaram da convivência com as comunidades da Praia Campanha, na Ilha de Príncipe – África, e Vila dos Pescadores, em Bragança-PA, Brasil, e ainda dos rastros de identidade, memória, proximidade e fragilidade que unem esses dois mundos, revelados nas obras expostas. 






O Bate-papo Cultural é uma iniciativa do setor educativo do Museu e Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, e tem como finalidade a aproximação do artista com o público. A exposição continua até 10 de março de 2013, de terça a sexta-feira,no horário de 10h às 18h, e sábados, domingos e feriados, de 10 às 14h, na sala Gratuliano Bibas – Casa das Onze Janelas.